Se tem uma empresa de obras em Portugal, já foi contactado por uma destas plataformas. Muita gente usa-as e algumas ganham dinheiro com elas. Vale a pena perceber a matemática antes de decidir.
Como funcionam estas plataformas?
O cliente descreve o trabalho que precisa e a plataforma vende esse contacto a várias empresas ao mesmo tempo, normalmente três ou quatro. Cada empresa paga por crédito ou por contacto, independentemente de ganhar o trabalho ou não.
Qual é o custo real por trabalho ganho?
Esta é a conta que interessa e quase ninguém a faz. Se paga por cada contacto e ganha um em cada quatro, o custo real por trabalho é quatro vezes o preço do contacto. Multiplique pelo que paga por contacto e compare com a margem do trabalho médio. Só depois dessa conta é que sabe se compensa.
O problema não é o preço, é o que fica
Ao fim de dois anos a pagar por contactos, tem os trabalhos que fez e mais nada. Não tem site, não construiu avaliações no Google, não tem presença própria, e no dia em que parar de pagar volta ao ponto zero. Alugou clientes, não construiu um negócio.
Quando é que compensa mesmo
Compensa em três situações: quando está a começar e precisa de trabalho já, quando tem capacidade parada num mês fraco, e quando quer entrar numa zona nova onde ainda não é conhecido. Nesses casos é uma ferramenta útil.
Quando não compensa
Quando é a sua única fonte de trabalho, ano após ano. Aí o custo por trabalho só sobe, a concorrência na plataforma só aumenta, e continua sem nada seu.
A comparação honesta
| Plataformas de contactos | Presença própria | |
|---|---|---|
| Custo | Por cada contacto | Fixo, independente do volume |
| Concorrência | 3 ou 4 empresas pelo mesmo pedido | O contacto é só seu |
| Velocidade | Trabalho já, na primeira semana | Constrói-se ao longo de meses |
| O que fica | Nada | Site, avaliações, perfil, lista de clientes |
| Ao fim de 2 anos | Depende de continuar a pagar | Funciona sozinho |
A resposta prática
Não é uma escolha entre as duas. O erro é usar só uma. As plataformas dão trabalho imediato. A presença própria dá trabalho daqui a seis meses e continua a dar depois. Quem usa as duas em paralelo, e ao longo do tempo vai dependendo menos das plataformas, é quem fica melhor.
